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Ex-aprendiz do Coletivo concorreu com seu negócio ao Juventude Empreendedora

Ex-aprendiz do Coletivo concorreu com seu negócio ao Juventude Empreendedora

14/01/2021

Foi andando pelo Centro do Rio e buscando vagas para jovem aprendiz on-line que Ray Anne Alves, 20 anos, moradora de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, encontrou o Coletivo Aprendiz e deu mais um passo em sua vida profissional.

Mas, o que essa jovem não esperava, era que sua marca de lingeries fosse desenvolvida e chegaria a concorrer ao prêmio do Juventude Empreendedora de 2020.

O programa do CIEDS, em parceria com o SEBRAE, fomenta a criação de negócios de impacto social por meio de um processo de educação empreendedora voltado para jovens de comunidades e regiões periféricas do Rio de Janeiro.

“Um pouco antes de entrar como aprendiz do Coletivo Aprendiz, eu havia me formado em técnica de produção de moda, e já sentia uma necessidade de continuar na área de alguma forma. Mas, foi dentro do Coletivo Aprendiz, conversando sobre negócios, que um professor me apresentou um livro (nome pelo qual não me recordo) e ele era 100% de conteúdo empreendedor, o que muito me inspirou em começar”, explica a jovem sobre seu primeiro passo como empreendedora.

O Coletivo não chegou a ser sua primeira oportunidade de emprego. Ray sempre buscou ocupar seu tempo depois das aulas do colégio e, entre atividades, ingressou em alguns cursos de qualificação, onde obteve uma base sobre Informática, Administração Básica, Inglês e Ética Comportamental dentro do mercado de trabalho. 

“Muito dessa ética eu aprendi trabalhando no meu primeiro jovem aprendiz pelo Sest Senat, aos 18 anos. Foi lá onde trabalhei como jovem aprendiz pela primeira vez, como auxiliar de tráfego, com uma jornada de quatro horas de trabalho. Sem dúvidas, aprendi muito a lidar com clientes ali”, conta Ray.

A jovem também reforça sobre a “visão humana e inclusiva” do programa de aprendizagem do Coletivo Aprendiz, desde os primeiros dias de treinamento do banco de talentos, assim como a atenção para o olhar que se tem para cada aprendiz de forma individual. 

“Todos somos vistos como pessoas independentes da empresa que trabalhamos ou cargos que ocupamos [...], mas todo e qualquer problema que fossem levados para lá dentro do Coletivo, eram abraçados quando permitidos. Sempre houve um olhar empático. Sempre debatíamos em sala de aula problemas reais e muitas das pautas sempre davam voz às minhas dores, lutas e discursos sobre autoconhecimento”, reflete acerca das temáticas que são expostas nas trilhas formativas.

Ray Anne em ação comunitária do CA no Campo de Santana, em 2019, onde doou roupas e alimentos arrecadados por cada turma. “Inclusive, uma coleção que desenvolvi dentro do meu curso técnico de produção de moda (de upcycling e estamparia), eu doei junto”.

Energia e força de vontade são sentimentos que não faltam na sua vida e em toda a sua trajetória de aprendizado, e foram o que chamaram mais sua atenção nas aulas e ações do programa de aprendizagem: “a conexão dos mentores sempre me deixou com aquela dúvida: ‘de onde que esse povo aprendeu a se complementar assim?’ hahahah”.

Foi essa energia da Ray Anne que chamou a atenção de dois professores do Coletivo Aprendiz para ela se inscrever na edição de 2020 do Juventude Empreendedora. Antes, ela e sua turma já tinham sido convidados para participarem da feira de empreendimentos e da entrega da premiação do evento em novembro de 2019, onde ela conseguiu ver de perto o trabalho dos expositores e se inspirou.

Ao ter seu projeto selecionado por meio do pitch, Ray passou pelo processo formativo a distância por seis meses e tirou a Annenu Lingerie do papel.

“Quando eu entrei, não tinha uma ideia de negócio, o Juventude Empreendedora é o responsável por toda essa vontade e desejo de chegar com o meu empreendimento onde almejo, eles certamente me deram asas e me permitiram achar o motivo pelo qual desejo levantar e trabalhar todos os dias”, observa Ray.

A jovem relata que sempre teve medo de não parar em nenhuma profissão devido a uma rotina estagnada. Mas hoje, ela abre um novo caminho e enxerga inúmeras possibilidades de produção e crescimento dentro do empreendedorismo.

Ela sempre carregou a necessidade de criar um empreendimento onde pudesse colocar a responsabilidade socioambiental dentro dele, e foi estudando sobre moda íntima feminina, que decidiu trabalhar com as lingeries, cuidar do íntimo feminino e entregar para um público mais amplo aquilo que é por direito das mulheres.

Ray Anne acredita que o cuidado com a autoestima e a entrega do valor de que todas são diferentes mostra o quanto elas são únicas: “foi dentro do mercado de moda íntima feminina que eu peguei toda a minha luta ali, todo o meu discurso de inclusão, de liberdade, de igualdade que eu decidi trabalhar com esse meio de empreendimento”.

Seu negócio, infelizmente, não foi um dos premiados, mas ela reforça o quanto ganhou com toda a trajetória tanto no Coletivo Aprendiz como no Juventude Empreendedora.

“Com relação ao resultado, não tem melhor/maior presente a ser dado a um empreendedor se não aquele que mais ensina: o tempo e é também a esse presente dado pela Juventude empreendedora, que sou grata”, diz.

Conheça a Annenu que, para Ray, “Anne” significa sua segunda personalidade, seu ascendente e sua militância acerca dos direitos à igualdade, liberdade e inclusão; e “nu” por ser o primeiro estágio em que uma mulher se encontra quando ela busca pegar a lingerie.


Fonte:
Conteúdo produzido pela Equipe de Comunicação - Coletivo Aprendiz